A GESTÃO POR RESULTADOS
O
conceito de gestão por resultados vem do inglês Management
by objectives (MBO)
ou Management by
Results (MBR). Nos
últimos anos, vem sendo muito discutido no setor público no Brasil,
mas também se aplica à iniciativa privada. Ele é, em suma, uma
forma de administrar o negócio que visa priorizar
os resultados em todas as ações de todos profissionais
que nele atuam,
objetivando a elevação do desempenho
organizacional.
O termo “gestão por
resultados” foi apresentado pela primeira vez por Peter
Drucker,
um dos mais importantes teóricos da administração moderna, em seu
livro The Practice
of Management, de
1954.
Quando uma empresa aplica a
gestão por resultados, ela decide que:
-
Os resultados são a referência-chave para a todo o processo de sua gestão;
-
Todos são responsáveis pelos resultados obtidos e não obtidos (oportunidades perdidas);
-
Todas as unidades de negócio devem ser integradas e caminharem juntas para os mesmos resultados, cada uma contribuindo com as suas atribuições;
-
A ênfase não está nos processos e procedimentos, e sim nos resultados obtidos.
‘O QUE SE OBTEVE’
ACIMA DE ‘COMO SE OBTEVE’
A essência da gestão por
resultados é a definição dos objetivos, a escolha das ações e a
tomada de decisão de forma participativa, ou seja, as lideranças e
seus liderados, dentro do planejamento estratégico, definem em
conjunto. Assim, a medição e a comparação do desempenho real de
cada empregado é feita de acordo com os padrões estabelecidos. De
acordo com Drucker, quando os próprios empregados participam do
estabelecimento de metas e escolhem as ações a serem seguidas, eles
são mais propensos a cumprir suas responsabilidades.
Neste “acordo de
cavalheiros”, a empresa não impõe processos muito rígidos, pois
o foco total está nos resultados. Obviamente, há diretrizes a serem
cumpridas, mas não há imposições do modo de fazer, o foco é
realizar os objetivos.
AS 5 ETAPAS DA GESTÃO
POR RESULTADOS
De acordo com Peter Drucker, a
gestão por resultados consiste nas seguintes etapas:
1 – Revisão dos
objetivos organizacionais
Os gestores devem ter uma
visão clara dos objetivos macros, conhecer o planejamento
estratégico e as ambições da empresa.
2 – Definição dos
objetivos dos colaboradores
Gestores e seus liderados
devem se reunir para firmar acordos sobre os objetivos e os
resultados esperados com seu trabalho. Eles também estabelecem um
prazo para a apresentação destes resultados e avaliação do
desempenho.
3 – Monitoramento do
processo
De tempos em tempos, antes da
finalização do prazo acordado, gestores e liderados se reunem para
verificar se os objetivos estão sendo alcançados.
4 – Avaliação de
desempenho
No final do período de
funcionamento normal, o desempenho do trabalhador é julgado de
acordo com o atingimento ou não dos objetivos.
5 – Recompensa
Na última etapa do ciclo, os
colaboradores recebem recompensas pelos resultados obtidos.
VANTAGENS QUE A EMPRESA
OBTÉM AO IMPLANTAR
A GESTÃO POR RESULTADOS
A seguir, veja as principais
vantagens que a gestão por resultados oferece aos negócios:
-
Motivação dos colaboradores: ao se envolverem em todo o processo de definição de objetivos, eles reconhecem o valor de seu trabalho e se engajam mai;
-
Melhorias na comunicação e coordenação: há uma aproximação natural dos líderes e seus liderados, com troca de informações, feedbacks e colaboração, o que contribui com a harmonia organizacional.
-
Mais clareza de objetivos: os colaboradores tendem a ter um compromisso maior com os objetivos que estabeleceram para si próprios do que aqueles que lhes são impostos por outra pessoa. Além disso, a clareza de objetivos contribui com a sensação de pertencimento e, consequentemente, com a autoestima dos profissionais;
-
Melhorias na produtividade: funcionários mais engajados, com mais informações e com os objetivos bem claros, produzem mais e melhor.
6 MOTIVOS PARA IMPLANTAR A GESTÃO POR RESULTADOS
1 – Porque os serviços
públicos só existem por uma razão: servir a população,
atender às expectativas da sociedade e gerar valor público.
E como saber se essa premissa está sendo atendida? A única forma é
por meio da gestão por resultados. Um bom modelo de gestão por
resultados traz em seu escopo um sistema de medição de desempenho
fundamentado por indicadores que permite, ex ante, monitorar
pari e passu a execução das políticas públicas e, ex
post, avaliar seus resultados e impactos.
2 – Porque governos e
organizações públicas não são auto-orientados para resultados, é
preciso definir uma agenda estratégica que identifique as
prioridades a serem enfrentadas a cada ano e desdobrá-las até o
nível operacional, definindo objetivos, iniciativas, indicadores,
metas e planos de ação para todos. Em seguida, a questão crítica
é a implementação, todo o foco deve ser direcionado ao
monitoramento da execução da estratégia, cada plano de ação deve
ser acompanhado intensivamente, não dá para ficar na torcida
esperando que tudo dê certo no final, as iniciativas não
são auto-executáveis, precisam de insumos suficientes, pessoas
capacitadas e de uma boa dose de coordenação para que não aja
ineficiência, duplicidades de esforços e desperdícios de recursos
públicos.
3 – Porque o desempenho do
setor público precisa ser verdadeiramente público. As pessoas não
sabem o tamanho do problema que suas cidades enfrentam, sequer sabem
que não sabem. O modelo de gestão para resultados deve ser
transparente, todos os indicadores devem ser públicos,
principalmente aqueles que mais dialogam diretamente com a qualidade
de vida da população. Porque a sociedade precisa entender mais
sobre a gestão pública para poder participar mais ativamente, o
controle social é a força mais importante e premissa básica de
qualquer estado democrático, é preciso aproximar a
sociedade da gestão pública, só assim acontecerão mudanças
efetivas na gestão pública do país.
4- Porque os melhores
desempenhos precisam ser reconhecidos e premiados, as melhores
práticas precisam ser identificadas para criar novos padrões, novas
referências, tornando-se modelos a serem seguidos por todos. O
reconhecimento dos melhores também prova que é possível
fazer melhor, acabam com o argumento de que “o serviço
público é assim mesmo” e inspiram a melhoria continua. A
identificação dos piores resultados gera o constrangimento positivo
e uma espécie de competição administradas começa a ser inserida
na cultura da gestão pública onde todos querem sair das últimas
colocação do ranking. Os piores resultados precisam ser apoiados e
não condenados, o objetivo não é encontrar culpados (quem) mas
encontrar as causas do baixo desempenho (porque). Quais são as
melhores escolas da rede municipal da cidade? Quais são as melhores
da rede Estadual? Quais as melhores cidades em saneamento, segurança
pública, mobilidade, inovação, turismo?
5 – Porque a gestão por
resultados “chacoalha a organização”, tira todos os gestores da
zona de conforto. Gerar desconforto em um nível em que as
pessoas possam suportar é imprescindível para alavancar os
resultados do setor público.
6 – Porque a aprendizagem só
é possível quando se levanta claramente quais fatores geram
resultados e quais não geram resultados, porque é através da
documentação das melhores práticas, das lições aprendidas, da
identificação das possíveis causas e efeitos que a organização
amadurece. A organização aprende e amadurece, principalmente, por
meio da análise e avaliação aprofundada do que foi executado;
comunicação intensiva de resultados por toda a organização;
debate em torno dos resultados alcançados, das limitações, dos
riscos ainda vigentes que podem impedir futuros resultados, enfim, é
preciso ter em mente que tudo pode ser reconstruído, tudo pode ser
questionado, é preciso desapegar de práticas desatualizadas, de
padrões ultrapassados, é preciso praticar a desconstrução
criativa em toda a organização.


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